Os processos construtivos vêm passando por constantes aprimoramentos, atendendo de maneira rápida e eficiente às demandas de mercado. Temos observado construções rápidas, com materiais leves e cada vez mais baratos em comparação aos padrões de resistência e estética apresentados, mas notamos também que a durabilidade dos componentes construtivos cada vez mais diminui. Dificilmente vemos construções feitas para durar. O que se apresenta no cenário comercial da construção é um processo rápido de edificação, mas que não visa perdurar por muito tempo. A indústria da construção se encarregou de incentivar a troca, o reparo e a reestruturação, mantendo assim o fluxo de capital e favorecendo o comércio de materiais de construção, matérias primas e insumos.

Quanto maior a quantidade de construções, maior será a quantidade de materiais empregados nas obras, o que implica diretamente no aumento da extração de componentes naturais e na produção de industrializados, como o cimento, para suprir as necessidades construtivas. De acordo com
HAWKEN et al (1999)1, apenas 6% do total de matérias primas extraídas da natureza – cerca de 500 bilhões de toneladas anuais – chegam até o produto final desejado, sendo a maior parte do restante devolvido ao meio ambiente sob forma de resíduos danosos.
O
concreto2 é o material mais produzido e utilizado nas construções brasileiras, sendo empregado em edificações, pontes, obras de arte, estradas, represas e outros em todo território nacional. Seu uso crescente também implica em atividades impactantes, não somente em sua aplicação, mas também em sua produção. Segundo LARANJEIRAS (2002)
3 a cada tonelada de
clinker produzido na fabricação do cimento corresponde, aproximadamente, a uma tonelada de gás carbônico emitida para a atmosfera. A indústria do cimento produz mais de 2 bilhões de toneladas anuais deste material, o que implica na emissão de 7% do total de dióxido de carbono lançado anualmente na atmosfera no mundo todo.

Para a produção do concreto, são também utilizados materiais como a areia e a brita, juntamente com outros aditivos minerais. Essa utilização beira o montante de 12 bilhões de toneladas anuais desses materiais. Se considerarmos, somando ao impacto da exploração, todo o processamento e transporte dessa matéria prima, veremos que todo processo de produção do concreto afeta muito desfavoravelmente o ambiente. Para finalizar, todo o processo consome mais de 1 trilhão de litros de água por ano.
A redução da durabilidade das estruturas de concreto provoca o aumento do consumo de matérias primas, produção de poluentes, gastos energéticos e custos adicionais com reparos, renovação e manutenção das construções.
As construções em concreto armado geralmente são projetadas para ter uma vida útil de 50 anos. Alguns estudos demonstram que em grandes centros, devido a inúmeros fatores, as construções não resistem aos 20 primeiros anos sem começarem processos de deterioração, sendo esse um processo mundial. A
Associação Americana de Engenheiros Civis (ASCE) estimou, no ano de 2001, que o custo do reparo de infra-estrutura em concreto ultrapassou o valor de 1 bilhão de dólares nos EUA, fato que levou alguns estudiosos das tecnologias construtivas a sugerirem o aumento da vida útil das construções para, em média, 150 anos.
Aumentado a vida útil das estruturas em concreto, de maneira geral, se mostra uma boa solução a longo prazo para a preservação de recursos naturais, redução de impactos, economia de energia e aumento do potencial de extração das reservas naturais. Porém, para se obter esses resultados, é necessário a reestruturação do processo construtivo, que prega a produtividade acelerada, tornando-o propenso à preservação dos recursos, previsão de necessidades a longo prazo e maior durabilidade estrutural.
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1 Hawken, P.; Lovins, E.; Levins, H. Natural Capitalism – Creating the Next Industrial Revolution, Little Brown and CO., 1999, 369p.
2 O concreto é uma mistura homogeneizada de cimento portland (obtido da moagem direta do clinker) com aditivos minerais.
3 Laranjeiras, A.C.R.; Palestra – Estruturas de Concreto Duráveis – Uma chave para o sucesso do Desenvolvimento Sustentável, Simpósio Comemorativo IBRACON 30 anos, 2002.