Brasil apresenta crescimento de 12,5% na destinação de embalagens vazias de agrotóxicos

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Os agricultores brasileiros se mantêm na liderança no ranking dos mais conscientes do mundo, quando o assunto é a devolução das embalagens vazias de defensivos agrícolas. Fruto dessa conscientização, de janeiro a setembro deste ano, seguiram para o destino ambientalmente correto (reciclagem ou incineração) 19 mil toneladas de embalagens vazias, volume que representa um aumento de 12,5% em relação ao total processado nos primeiros nove meses de 2007 (16,9 mil toneladas). Apenas em setembro deste ano, foram destinadas 2,2 mil toneladas.
De acordo com os dados divulgados pelo
inpEV (instituto que representa a indústria fabricante), os Estados que mais encaminharam embalagens vazias para o destino final de janeiro a setembro deste ano foram Mato Grosso (4,3 mil t), Paraná (3,3 mil t) e São Paulo (2,4 mil t). Já os que apresentaram maior crescimento percentual nos primeiros nove meses de 2008 em comparação ao mesmo período do ano passado, foram Goiás (67,1%), Alagoas (61,5%) e Maranhão (42,3%).
Os índices positivos do programa de destinação final brasileiro são resultado de ações conjuntas que envolvem agricultores, indústria fabricante – representada pelo inpEV –, canais de distribuição, cooperativas e poder público.
Veja abaixo os Estados que mais se destacaram na destinação de embalagens vazias nos primeiros oito meses do ano:




Sobre o inpEV

O inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – é uma entidade sem fins lucrativos que representa a indústria fabricante de defensivos agrícolas em sua responsabilidade de destinar as embalagens vazias de seus produtos de acordo com a Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal nº 4.074/2002. A lei atribui a cada elo da cadeia produtiva agrícola (agricultores, fabricantes, canais de distribuição e poder público) responsabilidades que possibilitam o funcionamento do Sistema de Destinação de Embalagens Vazias.

O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001 e entrou em funcionamento em março de 2002. Atualmente, possui 75 empresas e sete entidades de classe do setor agrícola como associadas.




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Projeto ameaça 70% das grutas do país

domingo, 26 de outubro de 2008

Cerca de 70% das cavernas do Brasil correm o risco de destruição. Hoje, as 7.300 já identificadas são protegidas por um decreto assinado em 1990. Nos próximos dias, o governo federal deve alterar a norma, após dois anos de pressão de empresas, sobretudo mineradoras e hidrelétricas, que vêem nas grutas um empecilho à expansão de seus empreendimentos.

A minuta, enviada na semana passada para a Casa Civil, autoriza, na prática, que cavernas que não sejam de "máxima prioridade" sofram "impactos negativos irreversíveis".

Isso significa que cavernas que estejam em outros três novos critérios poderão ser alteradas. Grutas com "alta relevância", por exemplo, poderão ser destruídas desde que o empreendedor se comprometa a preservar duas similares.

Para formações com "média relevância", o projeto prevê a destruição desde que o responsável pela obra financie ações que contribuam para a "conservação e o uso adequado do patrimônio espeleológico brasileiro" --sem especificar quais.

Já cavernas com "baixo grau de relevância" poderão ser impactadas sem contrapartidas. O Ministério do Meio Ambiente terá 60 dias para elaborar os critérios de relevância a partir da aprovação.

O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) diz que o novo decreto trará avanços. "Essa indefinição, que dura anos, afastou investimentos estrangeiros do país", afirma o presidente do instituto, Paulo Camillo.

"Há cavernas belíssimas que, claro, precisam ser preservadas. Mas é preciso criar um sistema para valorar o grau de importância dessas cavernas, porque muitas são inúteis", diz Rinaldo Mancin, diretor de assuntos ambientais do Ibram.

Segundo o Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas), do Instituto Chico Mendes, a maior parte das cavernas mapeadas no Brasil foi descoberta na última década. O Cecav e a SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia) estimam que 70% das cavernas possam ser destruídas com a nova lei.

Somente na região de Carajás, no Pará, onde atua a Vale, pesquisadores patrocinados pela própria companhia descobriram mais de mil cavernas que, segundo a empresa, impedem a exploração mineral.

A instalação de uma hidrelétrica pelo grupo Votorantim no vale do Tijuco Alto, em São Paulo, também enfrenta restrições devido a duas grutas localizadas na área a ser alagada, 450 dolinas (depressões em terrenos calcários) e outras 52 grutas e abismos na área de influência direta do projeto.

Para o secretário-executivo da SBE, Marcelo Rasteiro, o projeto, como foi apresentado, é "nefasto". Ele diz que a importância das cavernas não pode ser medida facilmente.


Livro para o passado

"Essas cavernas guardam registros do passado, trazem informações nos campos paleontológico, arqueológico, biológico e geológico. Cada uma é como um livro. A partir de alguns estudos, por exemplo, foi possível descobrir se chovia mais ou menos na região em determinado período. Isso é uma chave para entender questões como o aquecimento global."

Rasteiro diz ainda que a análise sobre a importância de cavernas deverá ser feita por consultores ambientais pagos pelas empresas, o que pode gerar pressão para laudos favoráveis ao interesse econômico. "Não há nenhum indício de que as cavernas estejam atrapalhando qualquer setor da economia brasileira. O setor mineral tem aumentado sua produção a cada ano."

Segundo Rita de Cássia Surrage, do Cecav, o órgão participou dos estudos com os ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia nos últimos dois anos, mas suas sugestões foram ignoradas no projeto final.

"Eles querem algo fácil de fazer. Dizem que nossas sugestões eram complexas. Mas não dá para entrar em uma caverna, sair e avaliar na hora. Estudos são necessários. Vai acabar na mão dos Estados a decisão de definir quais vão poder ser impactadas, sem critério algum."


Licenciamento

A Votorantim diz que na construção da hidrelétrica no interior de SP as grutas que serão submersas são "pequenas e pouco expressivas".

Já a Vale afirma que não revela seu estudo sobre cavernas em razão de "questões estratégicas" e nem comenta a possibilidade de destruição.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o que importa é que as cavernas realmente importantes sejam "conservadas e valorizadas". "Tudo está sendo discutido. Essa nova norma não significa que tudo será destruído", diz a secretária de Biodiversidades e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito.

Fonte: Folha Online

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Captura de CO2 pode ajudar a tornar aquecimento suportável

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A captura com armazenamento de dióxido de carbono (CO2) poderia fornecer 20% das medidas necessárias para reduzir as emissões até 2050 e tornar a mudança climática suportável para a humanidade, segundo a Agência Internacional da Energia (AIE).

"A captura e armazenamento de CO2 é uma das soluções mais promissoras" para cumprir os objetivos pactuados pela comunidade científica para que o aquecimento global seja inferior a 3 graus centígrados em meados do século XXI, destacou o diretor-executivo da AIE, Nobuo Tanaka, em entrevista coletiva.


Na apresentação de um relatório sobre esta tecnologia, Tanaka disse que se as atuais políticas energéticas fossem mantidas inalteradas, as emissões mundiais aumentariam 130% em 2050, nível "insustentável" porque o aquecimento global se situaria então entre 4 e 7 graus centígrados.


O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês) considera que para que a mudança climática seja suportável (menos de 3 graus), é preciso diminuir as emissões em 50%, e este é o cenário ideal segundo seu estudo.

Os autores do relatório da AIE calculam que o custo de tratar uma tonelada de CO2 teria preço médio de US$ 50 nas centrais térmicas, e caso a meta do IPCC seja cumprida, o custo global seria de US$ 500 bilhões anuais em meados do século.


Caso não haja captura e armazenamento de CO2, o custo anual para diminuir em 50% as emissões até 2050 seria de US$ 1,28 trilhão, por isso esta tecnologia "oferece uma solução viável e competitiva", de acordo com as conclusões.


Tanaka destacou a necessidade de cumprir a meta fixada pelo Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) este ano de dispor até 2010 de 20 projetos de demonstração deste dispositivo para poder garantir um desenvolvimento comercial no mundo todo até 2020. Para cobrir essa fase de demonstração, faltarão US$ 20 bilhões.A tecnologia de captura e armazenamento de CO2 consiste em recuperar as emissões deste gás principalmente em centrais térmicas, e transportá-lo, principalmente por gasodutos, a antigas jazidas subterrâneas de hidrocarbonetos exploradas.


Segundo a AIE, há espaços disponíveis no mundo inteiro que permitiriam acumular as emissões produzidas pelas atividades humanas durante centenas de anos.


Em uma central térmica a carvão, o rendimento energético se situa entre 45% e 48%, e a instalação de um dispositivo de captura de CO2 emitido (que pode recuperar mais de 90%), reduziria esse rendimento em 10%, segundo os especialistas da AIE.


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